domingo, 5 de janeiro de 2014

Jackass Presents - Bad Grandpa

Apesar de conter a palavra "Jackass" no titulo, este não é um daqueles filmes desta trupe da MTV que desde cedo nos habituou ao seu humor "sem limites". Este é um filme que junta cenas de câmara oculta com uma narrativa minimamente consistente, protagonizada por  Johnny Knoxville na pele do seu idoso personagem de 86 anos, Irving Zisman, sendo o resultado um mockumentary ao estilo Sacha Baron Cohen.

Sinceramente, quando comecei a ver este filme, não tinha grandes expectativas e por isso a desilução não foi muito grande. OK, é Jackass, não têm grande consistência cinematográfica mas são sempre garantidas algumas gargalhadas, mas a comédia não é dos estilos que mais aprecio na industria cinematográfica. A verdade é que este filme teve um efeito em mim que já não era sentido desde o tempo em que vi "O Cálice Sagrado" dos imortais Monty Python: Fazer com que o espectador (neste caso, eu) ria até chorar mesmo antes do título do filme aparecer.


A história é relativamente simples: A esposa de Irving Zisman (Knoxville) acaba por falecer. No velório, aparece a sua filha que confessa estar prestes a ser presa por violar a sua condicional, e cabe a este entregar o seu neto, Billy (Jackson Nicoll) ao pai, no North Carolina. Porém, em cada paragem o avô da criança acaba sempre por criar as mais variadas confusões, que vão desde pedir ajuda a dois estafetas para transportar um cadáver, até ao clássico "Testículos Descaídos". Penso que arruinaram a cena do miúdo disfarçado de menina no concurso de beleza ao incluírem-na no trailer, sendo que quem o viu, já sabe o que irá decorrer.


Tiro o chapéu a Johnny Knoxville. Para além de interpretar a personagem principal de uma maneira brilhante, fazendo qualquer um facilmente acreditar que de facto se trata de um idoso completamente chanfrado, o actor ainda ajudou a dirigir e escrever o filme. Dou também os meus parabéns a Jackson Nicoll. Este jovem conseguiu interpretar o seu papel na perfeição, adoçando as suas falas com um tom inocente que contribui para o resultado final da obra. Destaque ainda para a maquilhagem de Knoxville que roça a perfeição.


Bad Grandpa acaba por nem ser um bom filme nem um mau filme. Tentar adicionar "amor de família" a Jackass acaba por se tornar uma mistura demasiado estranha, e algumas das cenas embaraçosas acabam por se tornar repetitivas e por perderem a sua intenção inicial. Também são demasiadas as semelhanças "Borat", o que acaba por deixar o expectador com esperanças que o filme venha a melhorar. Esperanças estas que nunca se realizam, pois o filme nem toca nos calcanhares da obra-prima de Sacha Baron Cohen. Em suma: Um bom filme para ver a um domingo à tarde.




Nota : 13 em 20  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Trivium - Vengeance Falls

Embora já tenha saído à algum tempo, só agora arranjei tempo para ouvir e analisar esta obra-prima dos Trivium. Sem dúvida que este é um álbum que em termos de qualidade ultrapassa o seu antecessor,  "In Waves".

Os Trivium são uma das minhas bandas preferidas. Devo ter começado a ouvi-los quando tinha os meus 14 anos. Não foi uma banda que assim que ouvi imediatamente gostei, muito pelo contrário. Ouvi o single "Ember to Inferno" e a "Pull Harder on The Strings of Your Martyr" e não gostei, na altura ainda não era grande apreciador de Metal. Só passado uns 2 anos, quando calhou em conversa com um amigo e ele me disse: "Os Trivium? Os gajos são geniais! O álbum do Ember to Inferno foi o próprio vocalista que escreveu quando tinha a tua idade!". Isto fez-me voltar a ouvir o albúm. Não só ouvir, mas analisar, escutar as letras e, quando terminei, a minha opinião no que toca a Trivium mudou radicalmente. O "Ember to Inferno" foi o primeiro álbum da banda, como tal era quando eles estavam mais "crús" mas conforme ia ouvindo mais Metal, mais gostava de Trivium. Não só as faixas mais conhecidas como a já referida "Pull Harder on ..." (perceberam a ideia), "Like Light to Flies", "A Gunshot to The Head of Trepidation", "Ascendancy", até as faixas mais underground ("Of Prometheus and the Crucifix", "Becoming the Dragon"), todas elas são simplesmente brutais, com solos de guitarra que fazem qualquer ouvinte largar algumas gotas de urina quando os ouvem. De destaque ainda as covers de "Master of Puppets" e "Iron Maiden", ambas de chorar por mais.

Tempo agora para o "Vengeance Falls". Sinceramente o seu predecessor, "In Waves" podia ter sido melhor. Tirando duas ou três faixas e a "Shattering the Skies Above", o álbum está muito pobre. Felizmente isto não sucede no Vengeance. Os singles "Brave this Storm" e "Strife" são muito bons. A "Strife" relembra em grande parte a sonoridade do "Shogun". O álbum no geral está excelente. Destaque para "Incineration: The Broken World" e "No Way to Heal". Nota-se uma grande evolução na sonoridade da banda, tendo uma sonoridade mais precisa, mas ainda assim mantendo aquele feeling que os Trivium nos habituaram, com grandes solos de guitarra e um groove fenomenal. Para complementar isto ainda vem em bónus uma faixa que eu adorei, intitulada "As I Am Exploding", e uma cover de Misfits, nomeadamente da música "Skulls... We are 138" que acaba por se tornar bastante divertida, ouvindo-se Trivium com influências de Punk Rock.
Único aspecto negativo: a capa. Achei que podiam arranjar melhor.

Este é um álbum recomendado a todos os fãs não só de Trivium, mas de Metal no geral. Possui um bom groove, um bom trash, excelentes riffs e uma sonoridade para lá do espectacular. Infelizmente, não pude estar presente no concerto que deles que o ano passado passou pelo Paradise Garage em Lisboa, mas sem dúvida que se a digressão deste álbum passar por Portugal, estarei na 1ª Fila.


Nota: 18 em 20 





O Mar de Ferro

Desde Setembro que, devido à fantástica série "Game of Thrones", me dediquei a ler os livros d' "As Crónicas de Gelo e Fogo", escritos por este grande Senhor que é George R.R. Martin, tendo acabado de ler ontem o 8º volume, editado pela Saída de Emergência,  intitulado "O Mar de Ferro" (2ª parte do original "A Feast for Crows" ).

Devo dizer que até agora foi o livro que menos me agradou. Não, não é um mau livro; Apenas achei que fosse de qualidade inferior aos anteriores. Quando primeiro li "O Festim dos Corvos", imediatamente me apercebi que Martin decidiu focar-se mais nos acontecimentos em Porto Real e nas Ilhas de Ferro e por de lado Jon Snow e a Patrulha da Noite, Daenerys, Davos e outros personagens que melhor cativam a leitura dos leitores. O próprio autor no fim do livro confessa que se excedeu a escrever, e decidiu focar este quarto livro nos Gémeos Lannister e na família Greyjoy e focar mais o quinto volume nos restantes personagens.

Na minha opinião, Martin,  para começar introduziu demasiados capítulos com personagens  que, no meu caso,  não conseguiram "prender" como anteriormente tinha acontecido. Falo do Sacerdote Afogado, do Cavaleiro Imaculado, da Princesa na Torre... E ainda hà Brienne. Detestei Brienne. Anteriormente paraceu-me um personagem com tanto potencial, e neste volume não pude deixar de notar um certo vazio nos seus respectivos capítulos. Desiludiu-me à força toda. O que vale é que Martin já me aliviou do fardo deste personagem...

Admito que foi interessante ver como Martin consegue fazer com que o leitor comece a nutrir uma certa simpatia por Jaime Lannister. E em total contraste, leva-nos a ver o lado mau, maquiavélico e perverso da sua gémea, Cersei Lannister, um personagem que não olha a meios para atingir fins. Confesso que gostei especialmente das experiências de Qyburn. Muito bom, o contraste entre os gémeos da Casa do Leão.

Como já referi anteriormente, não é um mau livro, apenas está um pouco abaixo na fasquia que George Martin nos habituou. Acabar por introduzir demasiados personagens, o que para mim acaba por ser apenas uma maneira de "fazer render o peixe". Mas não é por isso que vou deixar de seguir esta fantástica saga que é "As Crónicas de Gelo e Fogo". Que venha melhor no volume seguinte, "A Dança dos Dragões".

NOTA : 14 em 20